Folha de São Paulo - 24/02/2010
MELCHIADES FILHO
BRASÍLIA - A revelação de que José Dirceu recebeu dinheiro da empresa que poderá se beneficiar caso a Telebrás seja reativada lança dúvidas sobre o plano federal de universalização da banda larga e sobre o modelo de "Estado executor" ensaiado pela Casa Civil no segundo mandato de Lula e defendido pela candidata Dilma Rousseff.
Com sede num paraíso fiscal do Caribe, a Star Overseas pagou R$ 1 pela participação na Eletronet, uma empresa falida cujo único ativo valioso (uma rede de 16 mil km de cabos de fibra ótica) estava na mão dos credores. Meses depois de a offshore ter contratado Dirceu, em 2007, o governo federal anunciou a intenção de transformar o cabeamento da Eletronet na "espinha dorsal" de uma nova rede nacional de acesso à internet, sob a tutela de uma estatal (Telebrás).
Não está claro, ainda, se e como a Star Overseas lucrará com essa remontagem do setor, que será anunciada no mês que vem pelo Palácio do Planalto. Mas a remuneração de Dirceu (R$ 620 mil em dois anos) indica que a offshore não esperava pouco. Advogados ouvidos pela Folha estimam em R$ 200 milhões.
Toda vez que as peripécias de Dirceu são flagradas, Lula diminui o papel do ex-ministro. Diz que ele é um franco-atirador que atua em causa própria -mesmo quando trata de alianças e doações eleitorais.
Desta vez, o Planalto terá de formular um discurso menos ligeiro e mais responsável e esclarecedor.
Primeiro, porque o caso Eletronet parece seguir o padrão dos escândalos da BrOi e da Varig -empresários com acesso ao governo Lula garantem uma bolada sem precisar investir muito (ou nada), graças a informações reservadas e/ou ao suporte jurídico da União.
Segundo, porque Dilma atuou diretamente no plano de banda larga. Ela diz que a rede da Eletronet é "patrimônio importante como o pré-sal". E foi o "apoio mais decisivo" à modelagem do projeto, escreveu Dirceu em março de 2007.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Dirceubrás
Folha de São Paulo - 24/02/2010
Fernando de Barros e Silva
SÃO PAULO - José Dirceu tem um blog -o "blog do Zé". Ele o define como "um espaço para a discussão do Brasil". Discutindo o Brasil como quem não quer nada, Dirceu escreveu o seguinte: "Do ponto de vista econômico, faz sentido o governo defender a reincorporação, pela Eletrobrás, dos ativos da Eletronet, uma rede de 16 mil quilômetros de fibras óticas" etc. etc. etc.
Este é um assunto caro a Dirceu. Seu primeiro post sobre o tema é de março de 2007. Por coincidência, o mesmo mês em que o empresário Nelson Santos contratou seus serviços de consultoria. Ficamos sabendo disso só ontem, pela reportagem de Marcio Aith e Julio Wiziack.
Em 2005, Nelson Santos, dono da "offshore" Star Overseas, sediada nas Ilhas Virgens, havia comprado pelo valor simbólico de R$ 1 a participação em uma empresa à época falida -a Eletronet. Entre 2007 e 2009, o empresário pagou a Dirceu R$ 620 mil por consultorias. Se a Telebrás for reativada, como anuncia o governo, o mesmo bidu que desembolsou R$ 1 pela Eletronet pode sair dela com R$ 200 milhões. Diante disso, o que Santos gastou com Dirceu é fichinha -ou não?
O ex-ministro da Casa Civil de Lula diz que a consultoria versava sobre os "rumos da economia na América Latina". Sabemos que Dirceu não mente. Usou na vida várias máscaras, mas a palavra é uma só.
O homem de negócios e o revolucionário convivem numa boa na pessoa de Zé Dirceu. O capitalismo de Estado e os interesses privados nele se acomodam harmonicamente. Ele é o "bolchebusiness" perfeito. Não há contradições insolúveis no horizonte de um democrata que se mira em Cuba ou de um socialista que topa tudo por dinheiro.
Durante o congresso do PT, vários oradores usaram o microfone para inflamar os companheiros contra o fantasma do "modelo neoliberal". Ninguém lembrou de levantar a voz contra o "modelo neopatrimonialista". Pelo contrário. De óculos escuros, o neopatrimonialismo em pessoa circulava sorridente entre petistas, posando para fotos como um verdadeiro popstar.
Fernando de Barros e Silva
SÃO PAULO - José Dirceu tem um blog -o "blog do Zé". Ele o define como "um espaço para a discussão do Brasil". Discutindo o Brasil como quem não quer nada, Dirceu escreveu o seguinte: "Do ponto de vista econômico, faz sentido o governo defender a reincorporação, pela Eletrobrás, dos ativos da Eletronet, uma rede de 16 mil quilômetros de fibras óticas" etc. etc. etc.
Este é um assunto caro a Dirceu. Seu primeiro post sobre o tema é de março de 2007. Por coincidência, o mesmo mês em que o empresário Nelson Santos contratou seus serviços de consultoria. Ficamos sabendo disso só ontem, pela reportagem de Marcio Aith e Julio Wiziack.
Em 2005, Nelson Santos, dono da "offshore" Star Overseas, sediada nas Ilhas Virgens, havia comprado pelo valor simbólico de R$ 1 a participação em uma empresa à época falida -a Eletronet. Entre 2007 e 2009, o empresário pagou a Dirceu R$ 620 mil por consultorias. Se a Telebrás for reativada, como anuncia o governo, o mesmo bidu que desembolsou R$ 1 pela Eletronet pode sair dela com R$ 200 milhões. Diante disso, o que Santos gastou com Dirceu é fichinha -ou não?
O ex-ministro da Casa Civil de Lula diz que a consultoria versava sobre os "rumos da economia na América Latina". Sabemos que Dirceu não mente. Usou na vida várias máscaras, mas a palavra é uma só.
O homem de negócios e o revolucionário convivem numa boa na pessoa de Zé Dirceu. O capitalismo de Estado e os interesses privados nele se acomodam harmonicamente. Ele é o "bolchebusiness" perfeito. Não há contradições insolúveis no horizonte de um democrata que se mira em Cuba ou de um socialista que topa tudo por dinheiro.
Durante o congresso do PT, vários oradores usaram o microfone para inflamar os companheiros contra o fantasma do "modelo neoliberal". Ninguém lembrou de levantar a voz contra o "modelo neopatrimonialista". Pelo contrário. De óculos escuros, o neopatrimonialismo em pessoa circulava sorridente entre petistas, posando para fotos como um verdadeiro popstar.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Mais uma mentira da Dilma
Postado originalmente no blog Coturno Noturno em 21 de fevereiro de 2010.
Perfil de Dilma, publicado hoje, na Folha, mostra que ela teve, sim, treinamento para guerrilha e para a luta armada, ministrado pelo comunismo internacional, possivelmente por guerrilheiros cubanos. Ou seja, a sua organização terrorista estava, sim, a serviço de um movimento internacional, destinado a implantar uma ditadura de extrema esquerda no país. Não há nenhuma licença poética para pegar em armas e matar civis.
Diz a Folha de São Paulo:
A associação entre Colina e VPR durou poucos meses. Lamarca queria aprofundar as ações armadas. Outros divergiam. Racharam antes do final de 1969. Mas ainda deu tempo para Dilma ir ao Uruguai clandestinamente ser treinada em técnicas militares -ela não precisa o momento exato.Em março de 2009, à Folha, Dilma havia negado esse treinamento de forma categórica: "Nunca fiz nem treinamento no exterior nem ação armada".Confrontada com a contradição, alega que, à época, não queria falar de atos envolvendo outros países. Resolveu fazer a revelação depois da eleição de José Mujica, ex-guerrilheiro da organização Tupamaros, que lutou contra a ditadura militar uruguaia. "O presidente Mujica está ali e sabe como é que foram os anos 70", diz Dilma.A seguir, seu relato, inédito, sobre o treinamento militar -e não de "guerrilha", diz ela."Era perto daqui, no Uruguai. Geralmente a gente fazia numa fazenda. Era mais seguro você fazer na fronteira. Eu estava no Rio e fui a Porto Alegre. Foi do lado de lá da fronteira. Ia pouca gente. Na minha vez foram cinco ou seis pessoas. Eu usava uns óculos com lentes bem grossas. Eu nunca tive pontaria, mas pegava bem. Era uma ótima limpadora. O meu treinamento foi muito simplório. Não se atirava muito. Montava-se e desmontava-se [armas]. Também [havia treinamento] de segurança. Você olha como é que faz para não ser seguido. Eles chamavam de treinamento de inteligência."
.....................................................................
O perfil de Dilma, descrito por Fernando Rodrigues, o editor brasiliense da Folha, é uma peça encomendada para dar um caráter poético à trajetória de Dilma pelo terrorismo e pela luta armada, participando de uma das mais violentas organizações criminosas que atuaram no país. Vejam que, para o jornalista, mentira é apenas contradição.
Perfil de Dilma, publicado hoje, na Folha, mostra que ela teve, sim, treinamento para guerrilha e para a luta armada, ministrado pelo comunismo internacional, possivelmente por guerrilheiros cubanos. Ou seja, a sua organização terrorista estava, sim, a serviço de um movimento internacional, destinado a implantar uma ditadura de extrema esquerda no país. Não há nenhuma licença poética para pegar em armas e matar civis.
Diz a Folha de São Paulo:
A associação entre Colina e VPR durou poucos meses. Lamarca queria aprofundar as ações armadas. Outros divergiam. Racharam antes do final de 1969. Mas ainda deu tempo para Dilma ir ao Uruguai clandestinamente ser treinada em técnicas militares -ela não precisa o momento exato.Em março de 2009, à Folha, Dilma havia negado esse treinamento de forma categórica: "Nunca fiz nem treinamento no exterior nem ação armada".Confrontada com a contradição, alega que, à época, não queria falar de atos envolvendo outros países. Resolveu fazer a revelação depois da eleição de José Mujica, ex-guerrilheiro da organização Tupamaros, que lutou contra a ditadura militar uruguaia. "O presidente Mujica está ali e sabe como é que foram os anos 70", diz Dilma.A seguir, seu relato, inédito, sobre o treinamento militar -e não de "guerrilha", diz ela."Era perto daqui, no Uruguai. Geralmente a gente fazia numa fazenda. Era mais seguro você fazer na fronteira. Eu estava no Rio e fui a Porto Alegre. Foi do lado de lá da fronteira. Ia pouca gente. Na minha vez foram cinco ou seis pessoas. Eu usava uns óculos com lentes bem grossas. Eu nunca tive pontaria, mas pegava bem. Era uma ótima limpadora. O meu treinamento foi muito simplório. Não se atirava muito. Montava-se e desmontava-se [armas]. Também [havia treinamento] de segurança. Você olha como é que faz para não ser seguido. Eles chamavam de treinamento de inteligência."
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O perfil de Dilma, descrito por Fernando Rodrigues, o editor brasiliense da Folha, é uma peça encomendada para dar um caráter poético à trajetória de Dilma pelo terrorismo e pela luta armada, participando de uma das mais violentas organizações criminosas que atuaram no país. Vejam que, para o jornalista, mentira é apenas contradição.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Dilma continua inventando diplomas. Deve ser trauma.
Postado originalmente no blog Coturno Noturno em 20 de fevereiro de 2010.
Em discurso na convenção petista, Dilma Rousseff soltou:
"Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro".
Dilma Rousseff, como sempre, metendo a mão em diplomas que não existem. A "doutora" só pode computar os alunos que se formaram no ensino superior a partir de 2006, pois um curso superior dura no mínimo quatro anos. As universidades públicas, neste período, formaram cerca de 800.000 alunos. O PROUNI não formou alunos, ainda. E as escolas técnicas não chegaram a 200.000 concluintes nem que a vaca de presépio tussa. Falar em milhões de jubilados só contando com os que começaram na era FHC. Portanto, há mais uma mentira aí.
Em discurso na convenção petista, Dilma Rousseff soltou:
"Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro".
Dilma Rousseff, como sempre, metendo a mão em diplomas que não existem. A "doutora" só pode computar os alunos que se formaram no ensino superior a partir de 2006, pois um curso superior dura no mínimo quatro anos. As universidades públicas, neste período, formaram cerca de 800.000 alunos. O PROUNI não formou alunos, ainda. E as escolas técnicas não chegaram a 200.000 concluintes nem que a vaca de presépio tussa. Falar em milhões de jubilados só contando com os que começaram na era FHC. Portanto, há mais uma mentira aí.
DISCURSO DE DILMA, FRAUDES HISTÓRICAS, MISTIFICAÇÕES E CONVERSA MOLE
Postado originalmente no blog do Reinaldo Azevedo
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Pronto! Dilma Rousseff já é a candidata do PT à Presidência da República. Com discurso, citações poéticas — despropositadas, diga-se (fica para outro post) —, promessa de novas auroras e, como não poderia deixar de ser, exaltação das conquistas de Lula. Oki. Isso tudo é parte do jogo. A fala de Dilma (íntegra aqui) reforça a mistificação de que não havia país antes de Lula: parece que o Brasil começou em 2003.
Uma metáfora de gosto duvidoso ilustra o provável tom da campanha, serve de síntese da forma como o petismo conta a história do Brasil e é emblema das mentiras essenciais que marcam a propaganda oficial. Disse Dilma:
Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candeeiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil a fora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho.
Antes que você sinta pulsar em si mesmo, leitor, o frêmito poético que levou o redator do texto a afirmar que os “pontos luminosos serão uma trilha incandescente que mostra um novo caminho” (Jesus!!!), cumpre considerar os números da chegada da luz elétrica aos lares brasileiros:
1996 - 79,9%
2002 - 90,8%
2008 - 96,2%
Como se vê, em 1996, já havíamos avançando bem nessa área. E um grande salto se deu entre aquele ano e 2002, durante o governo FHC: 10,9 pontos percentuais — ou crescimento de 13,6%; no governo Lula, 5,8 pontos percentuais — ou 6,3% de crescimento. Tivessem os petistas avançado “nos pontos luminosos da trilha incandescente” o mesmo que avançaram os tucanos, já não haveria brasileiro sem luz elétrica. E ainda sobraria um bicos para a gente emprestar a alguns países das fronteiras…
Mentira
O discurso investe também na mentira descarada. Afirma Dilma:
O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado.
Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso.
Aqui, o desastre só não foi maior - como em outros países - porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS.
O discurso que sataniza a privatização é coisa de vigaristas. Em primeiro lugar, porque as que foram feitas trouxeram resultados formidáveis para o Brasil — ou o PT que as desfizesse. Ao contrário: Lula, como se sabe, criou facilidades para detentores de empresas antes pertencentes ao estado. Ou terei de lembrar de novo da “Lei Oi”, criada especialmente para permitir que a Oi, de seu amigo Sérgio Andrade, comprasse a Brasil Telecom, de seu inimigo Daniel Dantas?
E É UMA MENTIRA ESCANDALOSA AFIRMAR QUE SE TENTOU, ALGUMA VEZ, PRIVATIZAR PETROBRAS, BANCO DO BRASIL OU CEF. A acusação é feita de modo covarde. Quem tentou? Cadê as evidências, os documentos, as provas, os indícios que sejam? Não há nada. HÁ APENAS TERRORISMO.
Mistificação do passado
Quase no fim do discurso, Dilma mandar ver:
Permitam-me recordar três companheiros que se foram na flor da idade.
Carlos Alberto Soares de Freitas.
Beto, você ia adorar estar aqui conosco.
Maria Auxiliadora Lara Barcelos.
Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui entre nós todos.
Iara Iavelberg.
Iara, que falta fazem guerreiras como você.
O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso.
É mesmo?
Beto foi companheiro de Dilma nos grupos terroristas Colina, VAR-Palmares e Vanguarda Popular Revolucionária. Está entre os desaparecidos políticos. Se, ainda hoje, continuasse com as idéias que tinha então, não gostaria de estar ali coisa nenhuma. “Beto”, como Dilma à época, não estava entre aqueles que consideravam que eleições eram um modo eficaz de mudar a realidade. Maria Auxiliadora Lara Barcelos também era membro da VAR-Palmares. Suicidou-se na Alemanha. “Dodora” era um de seus codinomes na organização clandestina. Iara Iavelberg, namorada de Carlos Lamarca, foi, como ele, membro da VPR e depois do MR-8, outra organização terrorista. Mesmo entre os esquerdistas, há dúvidas se ela se matou ou foi morta pelas forças de segurança.
Dilma cita esses “heróis” de época só por questões sentimentais? Não sei. Na entrevista que concedeu à VEJA (ver o post “A Garota da Capa”), ela diz: “A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social.” É? Seus homenageados, como ela própria aquela época, queriam outra coisa: ditadura socialista. E, para atingir seus objetivos, assaltavam, seqüestravam e matavam. Todos eles merecem o respeito que se dispensa a qualquer ser humano. Mas sua contribuição à democracia é rigorosamente nenhuma! E o regime que tentaram implementar no Brasil se caracteriza pela morte de milhões de pessoas. No que concerne à política, merecem o nosso mais solene desprezo.
Lula
Lula também falou no ato que consagrou Dilma candidata:
- “As pessoas que privatizaram este país estão incomodadas porque queremos fortalecer certos setores da economia brasileira. Vão dizer que a Dilma vai ser estatizante. Se preparem. Mas isso não é ruim não. É bom.”
- “Essa menina, com 20 anos de idade, resolveu por opção própria colocar sua vida em risco, para garantir a democracia neste País”.
Lula só não conseguiria explicar por que é preciso, por exemplo, criar uma estatal para “fortalecer certos setores da economia brasileira”. Sintam no ar o cheirinho de carniça que emana da “nova Telebras”, por exemplo. Eis um assunto que eu acho que ainda vai render.
Quanto à “menina que colocou sua vida em risco”, dizer o quê? Dilma teve mais sorte do que aqueles que o Colina, a VAR-Palmares e VPR assassinaram, não é mesmo?
Eu sei que, em momentos assim, não é hábito tratar as coisas com essa crueza — que eu prefiro chamar de clareza. Mas é o caminho que me parece o correto, como sempre.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Pronto! Dilma Rousseff já é a candidata do PT à Presidência da República. Com discurso, citações poéticas — despropositadas, diga-se (fica para outro post) —, promessa de novas auroras e, como não poderia deixar de ser, exaltação das conquistas de Lula. Oki. Isso tudo é parte do jogo. A fala de Dilma (íntegra aqui) reforça a mistificação de que não havia país antes de Lula: parece que o Brasil começou em 2003.
Uma metáfora de gosto duvidoso ilustra o provável tom da campanha, serve de síntese da forma como o petismo conta a história do Brasil e é emblema das mentiras essenciais que marcam a propaganda oficial. Disse Dilma:
Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candeeiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil a fora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho.
Antes que você sinta pulsar em si mesmo, leitor, o frêmito poético que levou o redator do texto a afirmar que os “pontos luminosos serão uma trilha incandescente que mostra um novo caminho” (Jesus!!!), cumpre considerar os números da chegada da luz elétrica aos lares brasileiros:
1996 - 79,9%
2002 - 90,8%
2008 - 96,2%
Como se vê, em 1996, já havíamos avançando bem nessa área. E um grande salto se deu entre aquele ano e 2002, durante o governo FHC: 10,9 pontos percentuais — ou crescimento de 13,6%; no governo Lula, 5,8 pontos percentuais — ou 6,3% de crescimento. Tivessem os petistas avançado “nos pontos luminosos da trilha incandescente” o mesmo que avançaram os tucanos, já não haveria brasileiro sem luz elétrica. E ainda sobraria um bicos para a gente emprestar a alguns países das fronteiras…
Mentira
O discurso investe também na mentira descarada. Afirma Dilma:
O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado.
Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso.
Aqui, o desastre só não foi maior - como em outros países - porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS.
O discurso que sataniza a privatização é coisa de vigaristas. Em primeiro lugar, porque as que foram feitas trouxeram resultados formidáveis para o Brasil — ou o PT que as desfizesse. Ao contrário: Lula, como se sabe, criou facilidades para detentores de empresas antes pertencentes ao estado. Ou terei de lembrar de novo da “Lei Oi”, criada especialmente para permitir que a Oi, de seu amigo Sérgio Andrade, comprasse a Brasil Telecom, de seu inimigo Daniel Dantas?
E É UMA MENTIRA ESCANDALOSA AFIRMAR QUE SE TENTOU, ALGUMA VEZ, PRIVATIZAR PETROBRAS, BANCO DO BRASIL OU CEF. A acusação é feita de modo covarde. Quem tentou? Cadê as evidências, os documentos, as provas, os indícios que sejam? Não há nada. HÁ APENAS TERRORISMO.
Mistificação do passado
Quase no fim do discurso, Dilma mandar ver:
Permitam-me recordar três companheiros que se foram na flor da idade.
Carlos Alberto Soares de Freitas.
Beto, você ia adorar estar aqui conosco.
Maria Auxiliadora Lara Barcelos.
Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui entre nós todos.
Iara Iavelberg.
Iara, que falta fazem guerreiras como você.
O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso.
É mesmo?
Beto foi companheiro de Dilma nos grupos terroristas Colina, VAR-Palmares e Vanguarda Popular Revolucionária. Está entre os desaparecidos políticos. Se, ainda hoje, continuasse com as idéias que tinha então, não gostaria de estar ali coisa nenhuma. “Beto”, como Dilma à época, não estava entre aqueles que consideravam que eleições eram um modo eficaz de mudar a realidade. Maria Auxiliadora Lara Barcelos também era membro da VAR-Palmares. Suicidou-se na Alemanha. “Dodora” era um de seus codinomes na organização clandestina. Iara Iavelberg, namorada de Carlos Lamarca, foi, como ele, membro da VPR e depois do MR-8, outra organização terrorista. Mesmo entre os esquerdistas, há dúvidas se ela se matou ou foi morta pelas forças de segurança.
Dilma cita esses “heróis” de época só por questões sentimentais? Não sei. Na entrevista que concedeu à VEJA (ver o post “A Garota da Capa”), ela diz: “A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social.” É? Seus homenageados, como ela própria aquela época, queriam outra coisa: ditadura socialista. E, para atingir seus objetivos, assaltavam, seqüestravam e matavam. Todos eles merecem o respeito que se dispensa a qualquer ser humano. Mas sua contribuição à democracia é rigorosamente nenhuma! E o regime que tentaram implementar no Brasil se caracteriza pela morte de milhões de pessoas. No que concerne à política, merecem o nosso mais solene desprezo.
Lula
Lula também falou no ato que consagrou Dilma candidata:
- “As pessoas que privatizaram este país estão incomodadas porque queremos fortalecer certos setores da economia brasileira. Vão dizer que a Dilma vai ser estatizante. Se preparem. Mas isso não é ruim não. É bom.”
- “Essa menina, com 20 anos de idade, resolveu por opção própria colocar sua vida em risco, para garantir a democracia neste País”.
Lula só não conseguiria explicar por que é preciso, por exemplo, criar uma estatal para “fortalecer certos setores da economia brasileira”. Sintam no ar o cheirinho de carniça que emana da “nova Telebras”, por exemplo. Eis um assunto que eu acho que ainda vai render.
Quanto à “menina que colocou sua vida em risco”, dizer o quê? Dilma teve mais sorte do que aqueles que o Colina, a VAR-Palmares e VPR assassinaram, não é mesmo?
Eu sei que, em momentos assim, não é hábito tratar as coisas com essa crueza — que eu prefiro chamar de clareza. Mas é o caminho que me parece o correto, como sempre.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Dilma Rousseff mente de novo

Em recente discurso, a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (que não para no gabinete - viajando e fazendo campanha eleitoral antecipada ilegal) afirmou mentirosamente que o governo federal petista havia liberado R$ 1,1 bilhão para enchentes, em São Paulo. Veja os dados verdadeiros na resposta do deputado Mendes Thame, do PSDB de São Paulo:
A ministra Dilma Rousseff afirmou que o Governo Lula destinou suplementação de R$ 1,1 bilhão, em junho de 2009, para obras de combate às enchentes em São Paulo. Tal afirmação não corresponde à verdade...
Os créditos extraordinários liberados na ocasião, por meio da Medida Provisória 463/2009 (posteriormente convertida na Lei 11.981/09), o foram para o pais todo...
...foram destinadas ao Estado de São Paulo: apenas R$ 32 milhões.
... Dos recursos gastos pela União em 2009 na prevenção de enchentes, muito pouco teve como destino o Estado de São Paulo: apenas R$ 4,9 milhões, ou menos de 4% do total.
Em relação aos recursos para o Programa de Resposta aos Desastres e Reconstrução, a mesma situação se verifica: de uma dotação de R$ 1,9 bilhão para todo o país, foram gastos R$ 1,2 bilhões, mas apenas R$ 27 milhões dos quais destinados a São Paulo: 2,1% do total...
Tais números contrastam com os grandes investimentos do Governo do Estado de São Paulo na prevenção e combate à enchentes no período. Em 2009, R$ 157,61 milhões foram liquidados...
Em 2010, o Governo Serra investirá ainda mais: R$ 305 milhões, sem contar R$ 120 milhões destinados ao Parque Várzeas do Tietê e R$ 195 milhões do programa Córrego Limpo...
Ressalte-se que nenhum dos 45 piscinões da Região Metropolitana de São Paulo foram feitos com recursos do orçamento federal: sua construção contou com recursos das prefeituras da região (19 piscinões) e do Governo paulista (26)...
No governo Serra, foram concluídos seis piscinões (R$ 79,6 milhões), havendo quatro em obras (R$ 48,3 milhões) e um em licitação (R$ 80 milhões). Portanto, o Governo Serra investe, sem nenhuma ajuda do governo federal, R$ 207,9 milhões em piscinões...
Ao todo, entre 2007 e 2010, o Governo do Estado está investindo R$ 1,037 bilhão em infraestrutura hídrica e combate às enchentes. São ações como limpeza dos córregos, obras de canalização, construção e limpeza de piscinões e a construção de parques lineares...
Outros R$ 2,691 bilhões estão sendo investidos em obras de urbanização e atendimento a famílias em áreas de risco nesse período.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Brasil já era "Bola da Vez" no governo de Fernando Henrique Cardoso
Falar em desindustrialização durante o Plano Real é brincadeira né? Houve isso na era Collor com a abertura em tempo recorde das importações, mas era característica do projeto daquele governo para modernizar e ampliar a oferta de produtos, o que gerou frutos futuros, sentidos até hoje em dia. Para quem viveu a década dos anos 1980, a variedade de produtos na prateleira dos supermercados era ridícula perto do que temos hoje. No governo FHC a abertura ainda continuou, mas de forma bem mais gradual e elaborada.
Durante o Plano Real e sucessivamente, houve um maciço ingresso de investimentos externos na área produtiva, sendo essa entrada de dólares uma das âncoras do plano. Só na área da indústria automobilística, entraram com fabricação no país durante o governo de Fernando Henrique nada menos que OITO marcas (Peugeot, Renault, Citroën, Audi, Land-Rover, Toyota - até então uma pequena fabrica artezanal de jipes, Honda, Mercedes-Benz automóveis, Dodge-Chrysler, fora a brasileira Troller. Tivemos ainda no setor de caminhões a Volkswagem em Resende-RJ, a Iveco em Minas e a Internacional no sul, mais algumas montadoras de motocicletas como Kasinski e Sundown por exemplo. A produção de veículos no país cresceu absurdamente ultrapassando a marca de 2 milhões/ano, sendo que na época o Brasil tinha status de "bola da vez" como hoje. Só perdeu fôlego por causa das crises em vários países emergentes que aqui ainda afetavam, pois o país ainda estava passando por amplas reformas estruturais que fundamentam o crescimento do Brasil até hoje em dia. Naquela época, um espirro na Turkia refletia em todos emergentes, independente da real situação. O termo BRIC ainda estava em gestação e após sua aceitação junto ao mercado internacional, fez com que esses agentes começassem a separar o joio do trigo em termos de países emergentes, facilitando a nossa vida.
Durante o Plano Real e sucessivamente, houve um maciço ingresso de investimentos externos na área produtiva, sendo essa entrada de dólares uma das âncoras do plano. Só na área da indústria automobilística, entraram com fabricação no país durante o governo de Fernando Henrique nada menos que OITO marcas (Peugeot, Renault, Citroën, Audi, Land-Rover, Toyota - até então uma pequena fabrica artezanal de jipes, Honda, Mercedes-Benz automóveis, Dodge-Chrysler, fora a brasileira Troller. Tivemos ainda no setor de caminhões a Volkswagem em Resende-RJ, a Iveco em Minas e a Internacional no sul, mais algumas montadoras de motocicletas como Kasinski e Sundown por exemplo. A produção de veículos no país cresceu absurdamente ultrapassando a marca de 2 milhões/ano, sendo que na época o Brasil tinha status de "bola da vez" como hoje. Só perdeu fôlego por causa das crises em vários países emergentes que aqui ainda afetavam, pois o país ainda estava passando por amplas reformas estruturais que fundamentam o crescimento do Brasil até hoje em dia. Naquela época, um espirro na Turkia refletia em todos emergentes, independente da real situação. O termo BRIC ainda estava em gestação e após sua aceitação junto ao mercado internacional, fez com que esses agentes começassem a separar o joio do trigo em termos de países emergentes, facilitando a nossa vida.
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