quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Envolvido no caso dos "aloprados" volta ao PT

Folha de São Paulo - 24/02/2010

Lacerda foi acusado pela PF de fornecer mala com R$ 1,7 mi para compra de dossiê contra o PSDB e não é consenso entre petistas

Dirigente do partido em São Caetano diz que objetivo de refiliação é fortalecer o PT e deixar passado para trás; Lacerda diz que é inocente

HUDSON CORRÊA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Acusado pela Polícia Federal de fornecer uma mala com R$ 1,7 milhão para compra de dossiê contra tucanos na campanha de 2006, o empresário Hamilton Lacerda foi reconduzido aos quadros do PT no início deste mês, segundo dirigentes petistas de São Caetano do Sul, responsáveis pela refiliação.
Pressionado pela cúpula petista, Lacerda pediu desfiliação logo após a PF apreender o dinheiro em um hotel de São Paulo em setembro de 2006 -flagrante que levou à crise na campanha de reeleição de Lula. Com a vitória no primeiro turno frustrada pelo caso, o presidente chamou de aloprados Lacerda e os demais envolvidos na compra do dossiê.
Em entrevista à Folha, o ex-presidente do PT municipal de São Caetano Edison Bernardes e o atual dirigente da legenda, o vereador Edgar Nóbrega, disseram que Lacerda está novamente filiado para garantir união no partido "e afastar mágoas de petistas simpatizantes" do aloprado. "Só falta a parte burocrática de comunicar a filiação à Justiça Eleitoral em abril", disse Nóbrega.
Bernardes, que assinou a ficha de filiação, disse que a reintegração de Lacerda foi discutida durante reunião com o prefeito petista de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, ex-ministro do governo Lula.
Investigado pela PF e por uma CPI no Congresso, Lacerda nunca disse a origem do dinheiro usado para compra do dossiê. Uma revelação poderia causar maiores danos a caciques petistas.
Ele sempre manteve a versão de que, em vez de R$ 1,7 milhão, entregou roupas no hotel a dois emissários que comprariam o dossiê (planilhas, fotos e fitas de vídeo sobre venda de ambulâncias).
O objetivo era envolver o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), em fraudes na compra de ambulâncias -esquema batizado de máfia dos sanguessugas.
Até hoje, a PF ainda não comprovou a origem da quantia, mas indiciou Lacerda por suposta lavagem de dinheiro. "Ninguém foi condenado. Não podemos condenar ninguém", disse Bernardes. "Queremos fortalecer o PT e deixar o passado para trás", acrescentou.
Segundo o dirigente, Lacerda comandava a maioria dos cerca de 3.100 filiados ao partido no município. Ex-vereador, ele disputou a Prefeitura de São Caetano em 2004 e era nome cotado para disputar cargo de deputado estadual em 2006, mas preferiu a coordenação de campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de SP.
Militantes petistas, porém, desaprovam a volta de Lacerda. "Lamento essa decisão. É infeliz", disse Chicão Ribeiro, um dos líderes do PT em São Caetano do Sul.
Atual presidente da legenda, o vereador Nóbrega afirmou que aceitaria um veto à filiação pela direção nacional do partido, mas considera isso pouco provável.
A reportagem não encontrou Lacerda ontem.

Oi negocia compra de dívida da Eletronet por R$ 140 mi

Folha de São Paulo - 24/02/2010

Proposta tenta retirar da falência empresa que deverá ser usada pela Telebrás

Conversas avançaram nas últimas semanas; entre os beneficiados pode estar sócio da Eletronet que foi cliente de consultoria de José Dirceu

JULIO WIZIACK
MARCIO AITH
DA REPORTAGEM LOCAL

A Oi negocia a compra da dívida da Eletronet com seus credores por cerca de R$ 140 milhões, quase 20% do valor total, estimado em R$ 800 milhões.
O objetivo é retirá-la da falência e, como contrapartida, explorar comercialmente a rede da companhia.
Caso seja concretizado, será outro negócio controverso da Oi envolvendo o governo. Em 2005, a operadora investiu R$ 5 milhões na Gamecorp, empresa que tem como sócio Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente. Três anos depois, o governo aprovou a mudança na legislação do setor de telecomunicações para que a Oi comprasse a Brasil Telecom. Desse negócio surgiu a atual Oi, dona de uma rede comparável à da Embratel e à da Eletronet em cobertura nacional.
A Eletronet é uma empresa em processo falimentar desde 2003 que o governo estuda usar como "espinha dorsal" na oferta de internet pelo PNBL (Plano Nacional de Banda Larga).
A União é sócia com 49% de participação, e o restante (51%) está nas mãos da canadense Contem Canada e do empresário Nelson dos Santos, dono da Star Overseas, empresa que contratou o ex-deputado José Dirceu, como revelou a Folha na edição de ontem.
O principal patrimônio da Eletronet é uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas instaladas nas torres de transmissão de energia das empresas do sistema Eletrobrás, conectando 18 Estados do país.
Essa rede foi montada pela japonesa Furukawa, que entrou com as fibras ópticas, e a francesa Alcatel-Lucent, fabricante dos equipamentos. Estima-se que só esses ativos valham R$ 600 milhões, quase 80% do total da dívida.
A Folha teve acesso à proposta da Oi aos credores. Para desistirem da disputa pelo pagamento da dívida, que se arrasta há uma década na Justiça, a operadora oferece R$ 60 milhões para cada um e R$ 20 milhões aos demais credores, totalizando R$ 140 milhões.
Ainda segundo a proposta, a Oi pede que, como contrapartida, tenha direito de assumir a gestão operacional da rede de fibras ópticas da Eletronet. Na prática, a Oi propõe uma joint venture (associação) com o governo para "ressuscitá-la". Apesar de estar em processo falimentar, hoje a Eletronet continua em atividade graças a uma decisão judicial. Contudo, atende a poucos clientes.

Antecedentes
Não é a primeira vez que a Oi tenta entrar na Eletronet. Outras propostas foram analisadas pelos credores nos últimos 18 meses. A última ocorreu em outubro e, naquele momento, ficou congelada. Nas últimas duas semanas, as negociações ganharam força.
A Oi não quis comentar o caso. Disse somente que "estudou o negócio, sua pertinência e compatibilidade, mas chegou a um impasse comercial".

Quem é dono
O governo tenta solucionar a dívida da Eletronet desde 2003, quando a companhia pediu autofalência. Embora o governo diga, por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), que as fibras ópticas foram transferidas à União por liminar, os credores continuam recorrendo na Justiça.
Eles alegam que as fibras são de sua propriedade até que a dívida seja paga -algo que, ainda segundo eles, não ocorreu. Por isso, entraram com uma petição na Justiça para cassar a liminar. A decisão não saiu.
Mesmo que o governo desista de usar as fibras da Eletronet, existe um contrato prevendo que a companhia seja a gestora dessa rede (sem competidores) por mais 11 anos, com punições em caso de rescisão como forma de preservar os sócios privados, a canadense Contem Canada e a Star Overseas, a empresa de Nelson dos Santos que teve José Dirceu como consultor até 2009.
Justamente por isso, ainda não se sabe como ficariam os acionistas privados caso o negócio com a Oi seja fechado, outro ponto que dificulta a negociação. Além da Oi, Alcatel-Lucent e Furukawa, que se consideram as atuais donas da rede da Eletronet, tentaram negociá-la com Petrobras, Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e Banco do Brasil, mas sem sucesso.

Internet aberta

Folha de São Paulo - 24/02/2010

MELCHIADES FILHO

BRASÍLIA - A revelação de que José Dirceu recebeu dinheiro da empresa que poderá se beneficiar caso a Telebrás seja reativada lança dúvidas sobre o plano federal de universalização da banda larga e sobre o modelo de "Estado executor" ensaiado pela Casa Civil no segundo mandato de Lula e defendido pela candidata Dilma Rousseff.
Com sede num paraíso fiscal do Caribe, a Star Overseas pagou R$ 1 pela participação na Eletronet, uma empresa falida cujo único ativo valioso (uma rede de 16 mil km de cabos de fibra ótica) estava na mão dos credores. Meses depois de a offshore ter contratado Dirceu, em 2007, o governo federal anunciou a intenção de transformar o cabeamento da Eletronet na "espinha dorsal" de uma nova rede nacional de acesso à internet, sob a tutela de uma estatal (Telebrás).
Não está claro, ainda, se e como a Star Overseas lucrará com essa remontagem do setor, que será anunciada no mês que vem pelo Palácio do Planalto. Mas a remuneração de Dirceu (R$ 620 mil em dois anos) indica que a offshore não esperava pouco. Advogados ouvidos pela Folha estimam em R$ 200 milhões.
Toda vez que as peripécias de Dirceu são flagradas, Lula diminui o papel do ex-ministro. Diz que ele é um franco-atirador que atua em causa própria -mesmo quando trata de alianças e doações eleitorais.
Desta vez, o Planalto terá de formular um discurso menos ligeiro e mais responsável e esclarecedor.
Primeiro, porque o caso Eletronet parece seguir o padrão dos escândalos da BrOi e da Varig -empresários com acesso ao governo Lula garantem uma bolada sem precisar investir muito (ou nada), graças a informações reservadas e/ou ao suporte jurídico da União.
Segundo, porque Dilma atuou diretamente no plano de banda larga. Ela diz que a rede da Eletronet é "patrimônio importante como o pré-sal". E foi o "apoio mais decisivo" à modelagem do projeto, escreveu Dirceu em março de 2007.

Dirceubrás

Folha de São Paulo - 24/02/2010

Fernando de Barros e Silva

SÃO PAULO - José Dirceu tem um blog -o "blog do Zé". Ele o define como "um espaço para a discussão do Brasil". Discutindo o Brasil como quem não quer nada, Dirceu escreveu o seguinte: "Do ponto de vista econômico, faz sentido o governo defender a reincorporação, pela Eletrobrás, dos ativos da Eletronet, uma rede de 16 mil quilômetros de fibras óticas" etc. etc. etc.
Este é um assunto caro a Dirceu. Seu primeiro post sobre o tema é de março de 2007. Por coincidência, o mesmo mês em que o empresário Nelson Santos contratou seus serviços de consultoria. Ficamos sabendo disso só ontem, pela reportagem de Marcio Aith e Julio Wiziack.
Em 2005, Nelson Santos, dono da "offshore" Star Overseas, sediada nas Ilhas Virgens, havia comprado pelo valor simbólico de R$ 1 a participação em uma empresa à época falida -a Eletronet. Entre 2007 e 2009, o empresário pagou a Dirceu R$ 620 mil por consultorias. Se a Telebrás for reativada, como anuncia o governo, o mesmo bidu que desembolsou R$ 1 pela Eletronet pode sair dela com R$ 200 milhões. Diante disso, o que Santos gastou com Dirceu é fichinha -ou não?
O ex-ministro da Casa Civil de Lula diz que a consultoria versava sobre os "rumos da economia na América Latina". Sabemos que Dirceu não mente. Usou na vida várias máscaras, mas a palavra é uma só.
O homem de negócios e o revolucionário convivem numa boa na pessoa de Zé Dirceu. O capitalismo de Estado e os interesses privados nele se acomodam harmonicamente. Ele é o "bolchebusiness" perfeito. Não há contradições insolúveis no horizonte de um democrata que se mira em Cuba ou de um socialista que topa tudo por dinheiro.
Durante o congresso do PT, vários oradores usaram o microfone para inflamar os companheiros contra o fantasma do "modelo neoliberal". Ninguém lembrou de levantar a voz contra o "modelo neopatrimonialista". Pelo contrário. De óculos escuros, o neopatrimonialismo em pessoa circulava sorridente entre petistas, posando para fotos como um verdadeiro popstar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mais uma mentira da Dilma

Postado originalmente no blog Coturno Noturno em 21 de fevereiro de 2010.

Perfil de Dilma, publicado hoje, na Folha, mostra que ela teve, sim, treinamento para guerrilha e para a luta armada, ministrado pelo comunismo internacional, possivelmente por guerrilheiros cubanos. Ou seja, a sua organização terrorista estava, sim, a serviço de um movimento internacional, destinado a implantar uma ditadura de extrema esquerda no país. Não há nenhuma licença poética para pegar em armas e matar civis.


Diz a Folha de São Paulo:
A associação entre Colina e VPR durou poucos meses. Lamarca queria aprofundar as ações armadas. Outros divergiam. Racharam antes do final de 1969. Mas ainda deu tempo para Dilma ir ao Uruguai clandestinamente ser treinada em técnicas militares -ela não precisa o momento exato.Em março de 2009, à Folha, Dilma havia negado esse treinamento de forma categórica: "Nunca fiz nem treinamento no exterior nem ação armada".Confrontada com a contradição, alega que, à época, não queria falar de atos envolvendo outros países. Resolveu fazer a revelação depois da eleição de José Mujica, ex-guerrilheiro da organização Tupamaros, que lutou contra a ditadura militar uruguaia. "O presidente Mujica está ali e sabe como é que foram os anos 70", diz Dilma.A seguir, seu relato, inédito, sobre o treinamento militar -e não de "guerrilha", diz ela."Era perto daqui, no Uruguai. Geralmente a gente fazia numa fazenda. Era mais seguro você fazer na fronteira. Eu estava no Rio e fui a Porto Alegre. Foi do lado de lá da fronteira. Ia pouca gente. Na minha vez foram cinco ou seis pessoas. Eu usava uns óculos com lentes bem grossas. Eu nunca tive pontaria, mas pegava bem. Era uma ótima limpadora. O meu treinamento foi muito simplório. Não se atirava muito. Montava-se e desmontava-se [armas]. Também [havia treinamento] de segurança. Você olha como é que faz para não ser seguido. Eles chamavam de treinamento de inteligência."
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O perfil de Dilma, descrito por Fernando Rodrigues, o editor brasiliense da Folha, é uma peça encomendada para dar um caráter poético à trajetória de Dilma pelo terrorismo e pela luta armada, participando de uma das mais violentas organizações criminosas que atuaram no país. Vejam que, para o jornalista, mentira é apenas contradição.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Dilma continua inventando diplomas. Deve ser trauma.

Postado originalmente no blog Coturno Noturno em 20 de fevereiro de 2010.

Em discurso na convenção petista, Dilma Rousseff soltou:

"Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro".

Dilma Rousseff, como sempre, metendo a mão em diplomas que não existem. A "doutora" só pode computar os alunos que se formaram no ensino superior a partir de 2006, pois um curso superior dura no mínimo quatro anos. As universidades públicas, neste período, formaram cerca de 800.000 alunos. O PROUNI não formou alunos, ainda. E as escolas técnicas não chegaram a 200.000 concluintes nem que a vaca de presépio tussa. Falar em milhões de jubilados só contando com os que começaram na era FHC. Portanto, há mais uma mentira aí.

DISCURSO DE DILMA, FRAUDES HISTÓRICAS, MISTIFICAÇÕES E CONVERSA MOLE

Postado originalmente no blog do Reinaldo Azevedo
sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pronto! Dilma Rousseff já é a candidata do PT à Presidência da República. Com discurso, citações poéticas — despropositadas, diga-se (fica para outro post) —, promessa de novas auroras e, como não poderia deixar de ser, exaltação das conquistas de Lula. Oki. Isso tudo é parte do jogo. A fala de Dilma (íntegra aqui) reforça a mistificação de que não havia país antes de Lula: parece que o Brasil começou em 2003.

Uma metáfora de gosto duvidoso ilustra o provável tom da campanha, serve de síntese da forma como o petismo conta a história do Brasil e é emblema das mentiras essenciais que marcam a propaganda oficial. Disse Dilma:

Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candeeiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil a fora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho.

Antes que você sinta pulsar em si mesmo, leitor, o frêmito poético que levou o redator do texto a afirmar que os “pontos luminosos serão uma trilha incandescente que mostra um novo caminho” (Jesus!!!), cumpre considerar os números da chegada da luz elétrica aos lares brasileiros:
1996 - 79,9%
2002 - 90,8%
2008 - 96,2%

Como se vê, em 1996, já havíamos avançando bem nessa área. E um grande salto se deu entre aquele ano e 2002, durante o governo FHC: 10,9 pontos percentuais — ou crescimento de 13,6%; no governo Lula, 5,8 pontos percentuais — ou 6,3% de crescimento. Tivessem os petistas avançado “nos pontos luminosos da trilha incandescente” o mesmo que avançaram os tucanos, já não haveria brasileiro sem luz elétrica. E ainda sobraria um bicos para a gente emprestar a alguns países das fronteiras…

Mentira
O discurso investe também na mentira descarada. Afirma Dilma:

O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado.
Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso.
Aqui, o desastre só não foi maior - como em outros países - porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS.


O discurso que sataniza a privatização é coisa de vigaristas. Em primeiro lugar, porque as que foram feitas trouxeram resultados formidáveis para o Brasil — ou o PT que as desfizesse. Ao contrário: Lula, como se sabe, criou facilidades para detentores de empresas antes pertencentes ao estado. Ou terei de lembrar de novo da “Lei Oi”, criada especialmente para permitir que a Oi, de seu amigo Sérgio Andrade, comprasse a Brasil Telecom, de seu inimigo Daniel Dantas?

E É UMA MENTIRA ESCANDALOSA AFIRMAR QUE SE TENTOU, ALGUMA VEZ, PRIVATIZAR PETROBRAS, BANCO DO BRASIL OU CEF. A acusação é feita de modo covarde. Quem tentou? Cadê as evidências, os documentos, as provas, os indícios que sejam? Não há nada. HÁ APENAS TERRORISMO.

Mistificação do passado
Quase no fim do discurso, Dilma mandar ver:

Permitam-me recordar três companheiros que se foram na flor da idade.
Carlos Alberto Soares de Freitas.
Beto, você ia adorar estar aqui conosco.
Maria Auxiliadora Lara Barcelos.
Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui entre nós todos.
Iara Iavelberg.
Iara, que falta fazem guerreiras como você.
O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso.


É mesmo?
Beto foi companheiro de Dilma nos grupos terroristas Colina, VAR-Palmares e Vanguarda Popular Revolucionária. Está entre os desaparecidos políticos. Se, ainda hoje, continuasse com as idéias que tinha então, não gostaria de estar ali coisa nenhuma. “Beto”, como Dilma à época, não estava entre aqueles que consideravam que eleições eram um modo eficaz de mudar a realidade. Maria Auxiliadora Lara Barcelos também era membro da VAR-Palmares. Suicidou-se na Alemanha. “Dodora” era um de seus codinomes na organização clandestina. Iara Iavelberg, namorada de Carlos Lamarca, foi, como ele, membro da VPR e depois do MR-8, outra organização terrorista. Mesmo entre os esquerdistas, há dúvidas se ela se matou ou foi morta pelas forças de segurança.

Dilma cita esses “heróis” de época só por questões sentimentais? Não sei. Na entrevista que concedeu à VEJA (ver o post “A Garota da Capa”), ela diz: “A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social.” É? Seus homenageados, como ela própria aquela época, queriam outra coisa: ditadura socialista. E, para atingir seus objetivos, assaltavam, seqüestravam e matavam. Todos eles merecem o respeito que se dispensa a qualquer ser humano. Mas sua contribuição à democracia é rigorosamente nenhuma! E o regime que tentaram implementar no Brasil se caracteriza pela morte de milhões de pessoas. No que concerne à política, merecem o nosso mais solene desprezo.

Lula
Lula também falou no ato que consagrou Dilma candidata:

- “As pessoas que privatizaram este país estão incomodadas porque queremos fortalecer certos setores da economia brasileira. Vão dizer que a Dilma vai ser estatizante. Se preparem. Mas isso não é ruim não. É bom.”
- “Essa menina, com 20 anos de idade, resolveu por opção própria colocar sua vida em risco, para garantir a democracia neste País”.


Lula só não conseguiria explicar por que é preciso, por exemplo, criar uma estatal para “fortalecer certos setores da economia brasileira”. Sintam no ar o cheirinho de carniça que emana da “nova Telebras”, por exemplo. Eis um assunto que eu acho que ainda vai render.

Quanto à “menina que colocou sua vida em risco”, dizer o quê? Dilma teve mais sorte do que aqueles que o Colina, a VAR-Palmares e VPR assassinaram, não é mesmo?

Eu sei que, em momentos assim, não é hábito tratar as coisas com essa crueza — que eu prefiro chamar de clareza. Mas é o caminho que me parece o correto, como sempre.