Se Dilma Rousseff vai ganhar a eleição ou não, isso eu não sei. Mas que seu discurso chega a ser engaçado, ah, isso chega! É duro ter de seguir as orientações do “marquetingue”, né?, e de dizer a cada dia uma coisa diferente. Em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, a pré-candidata do PT disse discordar da ocupação de prédios públicos, patrocinada pelo MST. E teorizou: “Governo é governo; movimento social é movimento social”. Grande!
No dia 10, no ato ilegal promovido por centrais sindicais em São Bernardo em apoio à sua candidatura, Dilma discursou:
“Eu respeito os movimentos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática.”
E quem não respeita? A questão é saber quando os ditos “movimentos sociais” mandam a democracia às favas, como fez o MST em Recife e como fez a Apeoesp em São Paulo. Esse discurso esquizofrênico de Dilma se explica. Fala uma coisa diferente a cada público, coisa em que o PT é mestre. Ela sabe que a esmagadora maioria da população repudia a violência dos sem-terra e é contra a baderna promovida pelos sectários de Bebel em São Paulo.
Ela também fez alusão à arruaça dos queimadores de livro. Disse que não é certo. Sei. Mas afirmou que concorda com a repressão a uma manifestação pacífica e legal. E quando, a exemplo daquela promovida pelos ditos professores em São Paulo, ela é violenta — eles atacaram a polícia — e ilegal: impediram o direito de ir e vir ao tentar fechar a Avenida Paulista? Aí Dilma não tem receita nenhuma.
Não custa lembrar que, no dia 30 de março, um dia antes de a Apeoesp promover o que chamou de “bota-fora de Serra” — a que compareceram só alguns gatos-pingados —, Dilma dividiu a mesa de um outro ato sindical, também ilegal, justamente com a presidente do sindicato, a quem chamou de “querida Bebel”.
O “marquetingue” deve ter identificado que não é bom para Dilma associar seu nome aos atos dos arruaceiros. Afinal, ela, definitivamente, não é Lula. Chegou a dizer na rádio que não colocaria o boné do MST na cabeça. Não antes de ser eleita ao menos.
Do blog do Reinaldo.
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terça-feira, 20 de abril de 2010
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