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domingo, 22 de maio de 2011

Palocci e a estória da carochinha (ou pra boi dormir)

Este blog ficou inativo nesse início de governo por dois motivos, a saber: primeiro por ser início de uma gestão, onde precisamos de alguns meses para podermos formar opinião. Segundo, pelo fato de Dilma Rousseff, em seus primeiros meses, ter assumido uma postura bem diferente do seus padrinho e antecessor, atuando com discrição e prometendo mais gerência e menos politicagem. Pois é, foi apenas impressão...

Tirando o fato que Dilma prometeu, para ajudar a conter a inflação, cortar na carne gastos supérfluos - que são muitos - logo no seu primeiro mês de mandato e que hoje vemos, infelizmente, que sua equipe econômica dá cabeçadas em público e os gastos com custeio continuam a todo vapor, aumentando aliás. Investimentos, que não podem nem suportam mais prorrogação, estes sim estão parados ou com contigenciamento de verbas. Criação de cargos comissionados, de repartições novas, gastos desnecessários, estes apontam não ter perdido força alguma. E NÓS É QUE PAGAMOS ESSA CONTA!

Lula deixou uma tremenda herança maldita, na forma de dívidas, programas encrencados e um caminhão de promessas largadas pelo caminho. Lula foi aquele espertalhão que saiu Brasil afora inaugurando placas apenas, terrenos vazios, sonhos irrealizaveis. Isso tudo deixou um rastro de pólvora em forma de despesas futuras.

Dilma, que no início pareceu mostrar indepêndencia, agora, com a crise em torno do seu primeiro ministro Antonio Palocci, deixa transparecer a todos que é mesmo um boneco ainda atrelado ao criador. Poderia ter dado uma mostra de autoridade e demitido o ministro encrencado em explicar a fabulosa quantia de 20 milhões que apareceram em sua conta bancária, mas preferiu se rebaixar a politicagem rasteira pedindo penico a Lula e seu fiel escudeiro para assuntos de comunicação e imprensa Franklin Martins.

Isso só mostra que teremos mais 3,5 anos de governo fraco. Mais um mandato perdido. A montanha de problemas que exigiriam um presidente de pulso firme para enfrentá-los será mais uma vez adiada. Lula passou 8 anos empurrando isso com a barriga. Em seus dois mandatos NENHUMA reforma estrutural foi feita. Dilma mostra-se agora incapaz de fazer algo também. E o Brasil segue capenga, crescendo economicamente, mas jogando seus problemas, que são muitos, debaixo do tapete. Vamos crescendo desorganizadamente, sem planejamento, como um puxadinho sobre outro no fundo do quintal.



CASO PALOCCI:

Só sendo um tremendo otário para se acreditar que palocci amealhou por baixo uns 20 milhões em um ano prestando consultoria. Está na cara que houve tráfico de influência, já que Palocci, mesmo tendo perdido a cadeira de ministro de Lula na esteira do Escândalo do Caseiro Francenildo, era uma espécie de conselheiro privilegiado junto ao presidente barbudo. Palocci voltou a ser deputado federal, participava das mais importantes comissões temáticas do congresso e tinha acesso irrestrito a todos os orgãos governamentais. Conselheiro econômico e político de Lula, entrava em seu gabinete praticamente sem marcar hora.

Tanto poder tinha que se tornou coordenador da campanha eleitoral de Dilma, indicado por Lula. Com sua vitória, assumiu o mais importante ministério e já era nome para disputar o governo do estado de São Paulo em 2014. Dilma eleita, Palocci recebe instantaneamente milhões em sua conta corrente e compra uma mansão em forma de apartamento por declarados 6,5 milhões.

Querer fazer que acreditemos que ele prestou "consultoria", via uma empresa que nunca ninguém ouviu falar até hoje, empresa essa que não tem funcionários, não tem website, não tinha nem mesmo escritório com placa na porta, é de fazer rir. Empresas de consultoria que faturam isso que Palocci faturou tem no mínimo uma centena de funcionários, distribuem boletins mensais na rede, tem dez, vinte anos de trabalhos na praça e estão sempre aparecendo na mídia como fonte e referência a diversos assuntos coligados. Palocci nunca escreveu um livro (salvo uma biografia chapa-branca que nem por ele foi escrita, mas encomendada), não é mestre nem Phd em nada, não tem artigos da sua empresa publicados em local algum, além de ser médico e não economista. Sua única experiência é a política, dos cargos que já ocupou, e seus contatos dentro do governo do qual fazia parte. Resumindo, a única coisa possível que justifique essa dinheirama é tráfico de influência ou mesmo desvio de verbas de campanha, o famigerado caixa 2. Só engana quem se quer enganar.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Petrobras na era FHC - desfazendo mitos e mentiras




Abaixo, artigo publicado em agosto de 2003 sobre a Petrobras na revista eletrônica Universia-Knowledge@Wharton.


A Petrobras, companhia estatal petrolífera brasileira, teve um lucro recorde de R$ 9,372 bilhões - cerca de US$ 3,157 bilhões - no primeiro semestre de 2003. Além disso, a empresa foi mais uma vez apontada como a maior do país de acordo com o ranking 2003 do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), ligado à FGV (Fundação Getúlio Vargas). Em 34 edições do levantamento, a Petrobras não foi a primeira em apenas três ocasiões, sendo que a última ocorreu em 1993, mesmo assim porque a avaliação foi afetada por uma metodologia de cálculo diferente da atual. Para entender o sucesso desta estatal que faz meio século no dia 3 de outubro de 2003, a revista eletrônica Universia Knowledge@Wharton consultou especialistas em administração e petróleo para avaliar sua gestão.

Segundo boletim da PIW - "Petroleum Intelligence Weekly" (semanário considerado a "bíblia" do setor) de fevereiro de 2003, a Petrobras é a 12ª maior companhia do ramo de petróleo no mundo. É a mesma posição que ocupa o Brasil no ranking dos países que mais produzem o chamado "ouro negro".

Os R$ 9,372 bilhões (ou US$ 3,157 bilhões) de lucro obtidos ante um faturamento de R$ 47,891 bilhões (US$ 16,13 bilhões) no primeiro semestre deste ano são um valor que não pode ser desprezado. Trata-se de um crescimento de 223,1% em relação aos números de igual período do ano passado. Mesmo na comparação com todo o ano de 2002, o resultado é melhor, já que o lucro da empresa na ocasião foi de US$ 2,3 bilhões, para um faturamento total equivalente a US$ 22,6 bilhões.

A produção da estatal no período também cresceu significativamente, o equivalente a 10,7% em relação aos seis primeiros meses do ano passado, passando da média de 1,826 milhão de barris de óleo equivalente (boe - medida que leva em conta a produção de petróleo e de gás natural) para 2,022 milhões de barris, em território nacional e no exterior.

"É um belo lucro. Não é um mau desempenho, de forma nenhuma. É difícil imaginar que a Petrobras tenha um mau desempenho. Enfim, o produto dela e a condição de monopolista no mercado brasileiro lhe asseguram um grande estofo", afirma o professor Carlos Osmar Bertero, chefe do Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo - Fundação Getúlio Vargas).


A dificuldade de romper o monopólio estatal

É justamente este ponto citado por Bertero que é apontado como determinante para os bons resultados da estatal: trata-se de uma empresa monopolista, que no ramo da extração de petróleo é responsável por cerca de 99% da produção nacional.

Em 1997 terminou oficialmente o monopólio da Petrobras, com a abertura do setor à iniciativa privada. Porém poucas empresas, mesmo as grandes multinacionais, conseguem enfrentar a posição consolidada da estatal. "O monopólio acabou formalmente. Agora, você não pode esquecer que nós tivemos no Brasil qualquer coisa como mais de 40 anos de monopólio da Petrobras. Isso fez com que, naturalmente, a empresa acumulasse uma competência e ocupasse um espaço no mercado que está presente até hoje. Então eu tenho a impressão de que entrar no mercado brasileiro não é uma coisa fácil", diz Bertero.

Mesmo assim, Bertero lembra que a noção de que a Petrobras é uma empresa eficiente não é nova: "Mesmo no tempo em que tinha monopólio garantido por lei, ela nunca deixou de fazer uma coisa muito fundamental: não deixou o Brasil sem derivados de petróleo". Ele cita o exemplo do sistema Telebrás que, antes do processo de privatização, realizado em 1999, não supria o mercado interno com os serviços que lhe eram solicitados.

"A Telebrás era um monopólio de telefonia que não tinha telefones. Ela afundou-se porque não é possível um monopolista não abastecer o mercado, e foi exatamente o caso desta empresa. No caso da Petrobras, não. Sempre houve no Brasil derivados de petróleo. A Petrobras nunca deixou de abastecer o mercado nacional", explica Bertero.


Do nascimento à atual posição de liderança

Criada em 3 de outubro de 1953, durante o governo do então presidente Getúlio Vargas, a Petrobras teve uma evolução considerável principalmente a partir dos anos 70, depois dos chamados "choques do petróleo" causados pela alta excessiva de preços manipulada pelo controle da oferta do produto feita pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo – cartel que reúne grandes produtores desta commodity).

"A liderança (entre as empresas brasileiras) foi sendo construída ao longo dos anos, desde o período em que ela foi criada, com a definição da questão estratégica (de concentração do petróleo nas mãos do Estado). Só que o país investiu muito mais a partir da crise do petróleo da década de 70. Foi quando a empresa começou a deslanchar, na virada dos anos 70 para os 80. Nesta época, começaram a aparecer os primeiros resultados na pesquisa de petróleo em águas profundas”, explica o economista e pesquisador Aloísio Campelo Júnior, Coordenador de Pesquisas Empresariais do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia - Fundação Getúlio Vargas), responsável pelo ranking 2003 do instituto, que apontou a Petrobras como a maior empresa não-financeira do Brasil.

Além disso, Campelo Júnior destaca a evolução e a mudança nas características de gestão da companhia estatal: "A partir do momento em que a sociedade exigiu a boa gestão dos recursos, já que é uma empresa estatal, ela passou a ser um modelo de administração, uma empresa muito boa, com pessoal eficiente".

"Eu acho que isso (a mudança na gestão) foi mais ou menos um esquema adotado por Reichstul (Henri Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras entre março de 1999 a janeiro de 2003, durante o governo Fernando Henrique Cardoso). Ele foi lá colocado mais ou menos com o intuito de tornar a Petrobras uma empresa menos pesada, mais ágil, e que fosse de certa forma gerida de acordo com aquilo que se considera hoje ser o adequado na gestão de uma empresa, ou seja: produzir mais resultados, mais lucros, mais valor de mercado, atender melhor aos interesses dos acionistas e tudo o mais", diz Carlos Osmar Bertero.

Campelo Júnior concorda com esta avaliação. Segundo ele, a partir da gestão do governo Fernando Henrique Cardoso, “a Petrobras começou a trabalhar em um ambiente que seria mais parecido com aquilo que acontece no setor petrolífero de outros países. E se beneficiou sim, por ser uma empresa de petróleo e sofrer uma política menos intervencionista. Ficou com preços mais parecidos com os do exterior nos últimos anos, aumentou muito a produção e a participação dela no comércio externo brasileiro. Tanto que ela não era a maior exportadora e passou a ser porque, com a retração do nível da atividade interna, ela tinha alguns produtos em excesso."


Os riscos de uma nova administração

Como em toda mudança, a passagem de uma antiga administração para uma nova causa certas preocupações e mexe com os ânimos do mercado. Isso aconteceu devido às novas indicações promovidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu em 1º de janeiro de 2003.

"O que a gente ouve falar é que neste governo do presidente Lula tem havido algumas nomeações na Petrobras que fogem um pouco daquilo que é a tradição da empresa. Isso é o que eu tenho lido na imprensa. O que foge é o seguinte: quase sempre a Petrobras teve a presidência ocupada por pessoas familiarizadas com o ramo de petróleo, muitos deles até mesmo com algum tipo de associação anterior com a empresa. Atualmente a Petrobras foi entregue claramente a representantes do partido governista, que é o Partido dos Trabalhadores (PT). Não há nenhum inconveniente que os dirigentes sejam de um partido político. O problema é que, segundo as observações que têm saído na imprensa, lhes faltaria um pouco de competência. Então isso é um risco. A ser isso verdade, claramente isso pode comprometer um pouco a gestão da empresa", avalia Carlos Osmar Bertero.

Apesar desta observação, Bertero pondera sua avaliação, considerando que, a princípio, a boa gestão da Petrobras não corre riscos e que não há possibilidade de um recuo na condução da empresa: "No caso da Petrobras não imagino que possa haver muitas mudanças no sentido de um retorno à ´velha Petrobras`. Acho isso muito difícil".

No entanto, alguns sinais de influência maior do governo federal sobre a Petrobras vêm sendo notados no mercado especializado. "Hoje você não vê o presidente da Petrobras (José Eduardo de Barros Dutra) indo a público falar sobre as políticas de preços dos combustíveis, por exemplo, mas, sim, a ministra de Minas e Energia (Dilma Rousseff)", afirma Fabiana Fantoni, analista da área de petróleo da consultoria Tendências Consultoria Integrada.

Essa perda das rédeas de políticas intimamente ligadas à gestão da empresa, segundo Fabiana Fantoni, tem deixado alguns agentes do mercado um pouco apreensivos com a possibilidade de haver ingerência do governo na administração da companhia.

No entanto, ela lembra que ultimamente as notícias relacionadas à Petrobras têm sido tão positivas – como no caso do anúncio de que, nos últimos 12 meses, foram encontradas reservas equivalentes a 4 bilhões de barris de petróleo e a 419 bilhões de metros cúbicos de gás natural - que o mercado tem prestado pouca atenção a detalhes da nova gestão da empresa.

Sobre o lucro líquido recorde da Petrobras no primeiro semestre de 2003, Fabiana Fantoni afirma que os números não devem se repetir na mesma proporção nos seis últimos meses do ano. Para ela, a tendência é de que o resultado siga mais parecido com o do segundo trimestre de 2003, que, segundo ela, chegou a decepcionar o mercado. O lucro somado nos meses de abril, maio e junho caiu 31% em relação ao resultado dos três meses anteriores, ficando em R$ 3,8 bilhões contra os R$ 5,5 bilhões do primeiro trimestre do ano.

Mas, de acordo com Fabiana Fantoni, nada disso abala a forte estrutura que dá base à Petrobras. Para a analista da agência de consultoria Tendências, os investimentos previstos para os próximos anos pela estatal são suficientes para cobrir percentuais de evolução do setor na mesma proporção da média de crescimento histórico dos últimos tempos (que tem variado entre 8% e 10% ao ano).


Perfil da Empresa

Atualmente (2003), a Petrobras é referência mundial na exploração de petróleo em águas profundas, tendo sido uma das primeiras companhias do mundo a desenvolver tecnologia para a extração de óleo nestas circunstâncias. A estatal tem quebrado recordes consecutivos neste setor. A última marca mundial foi obtida neste ano, no Campo de Roncador, na Bacia de Campos (RJ), em que há a exploração de petróleo de um poço cavado a partir de uma lâmina d´água de 1.886 metros de profundidade. A meta da empresa é chegar a profundidades superiores a 3.000 metros de água.

Em 1997, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de barris de petróleo extraídos ao dia. Atualmente, as reservas ativas da Petrobras somam 10,5 bilhões de barris equivalentes de óleo e gás. A produção média da companhia em território nacional está em 1,586 milhão barris de óleo por dia, segundo dados de agosto passado. Somando-se a extração de gás natural, chega-se a 1,841 milhão de barris equivalentes ao dia. Caso seja incluída aos números a extração de óleo e gás nas unidades da Petrobras fora do Brasil, a produção da companhia sobe para 2,091 milhões de barris equivalentes por dia.

Além do Brasil, a Petrobras atua em outros 12 países: Angola, Argentina, Bolívia, Cazaquistão, Colômbia, Estados Unidos, Equador, Guiné Equatorial, Nigéria, Peru, Trinidad & Tobago, e Venezuela.

A expectativa da empresa é que o Brasil se torne auto-sustentável em 2006 na relação entre o que produz e o que consume internamente de petróleo. Agora em 2003, de acordo com dados da companhia, o país produz quase 90% daquilo que consome de petróleo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dilma Rousseff: Amigo envolvido em escândalo na Petrobras, mais um...




Por Bruno Villas Bôas e João Guedes, no Globo:

Diretor de Gestão Corporativa da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), Ibanês César Cássel tem a Petrobras como cliente de sua empresa de eventos. Ligado à candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, desde que ela foi secretária de Energia, Minas e Comunicações no Rio Grande do Sul nos anos 90, Cássel assinou dois contratos com a estatal do petróleo no total de R$ 538.755,65 em 2008, por meio da Capacità Eventos Ltda, sediada em Porto Alegre. A Capacità tem Cássel como sócio e a mulher dele, Eliana Azeredo, como diretora-geral. Um dos contratos foi assinado sem licitação. Informações sobre Ibanês Cássel, entre outros rumores de denúncias que afetariam a Petrobras, circularam no mercado nesta quinta-feira [ontem] e derrubaram as ações da empresa .

Cássel assumiu o cargo estratégico na EPE em 2005, convidado pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Ele foi diretor administrativo da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) do Rio Grande do Sul, estatal ligada à Secretaria de Energia, Minas e Comunicações do estado, quando a pasta era comandada pela atual candidata.

Um dos contratos com a Petrobras (número 4600285827), de R$ 438.755,65, refere-se à inauguração da plataforma P-53, em 18 de setembro de 2008 em Rio Grande (RS), com a presença do presidente Lula. Houve licitação pelo modelo de carta-convite, no qual pelo menos três empresas precisam ser convidadas para a disputa.

A Petrobras também foi cliente da Capacità no contrato de patrocínio do evento “Porto Alegre - Uma visão de futuro”, realizado pela Câmara Municipal de Porto Alegre em 2008 e que tratou de “diversos temas relacionados à vida urbana das cidades”. Este contrato (número 4600283697) foi assinado sem licitação e somou R$ 100 mil. A Petrobras se valeu do decreto 2745 de 1998 - que flexibilizou as regras para licitação - para não abrir uma concorrência.

Cássel: “Não tenho ingerência na Capacità”
No Portal da Transparência do governo federal, consta o primeiro contrato entre a Capacità e a União em 2005, com a Casa da Moeda. No ano seguinte, a empresa assinou contratos de R$ 753 mil com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os contratos visavam à “administração da unidade” e à “formulação e avaliação da política de desenvolvimento agrário”.

Este último contrato foi assinado no mesmo ano em que Guilherme Cassel assumiu o MDA. O ministério disse que, apesar do sobrenome, ele não tem parentesco com Ibanês Cássel, e que os contratos foram assinados por pregão eletrônico para “organizar, produzir e pagar cachês de artistas que atuaram na 2ª Conferência Internacional de Reforma Agrária”.

O GLOBO enviou por e-mail uma lista de perguntas para Ibanês Cássel, que respondeu a apenas parte delas, de forma genérica. Ele diz que tem 1% de participação na Capacità Eventos, adquirida antes de sua posse na EPE.

- Tal participação foi analisada, antes da minha nomeação, pelos órgãos competentes e não constitui impedimento de ordem legal ou de qualquer natureza para o exercício do cargo - disse, por e-mail.

Cássel confirmou ter sido convidado pela então ministra para o cargo na EPE e afirmou que “minhas relações com Dilma Rousseff decorrem dessas experiências profissionais”. Disse ainda que “não participou da administração da Capacità” nem tem “ingerência sobre os contratos por ela celebrados.”

A assessoria de Dilma informou que a Capacità não presta serviços para sua campanha.

A diretora-geral da Capacità Eventos, Eliana Azeredo, mulher de Cássel, negou interferência do marido ou qualquer favorecimento:

- O Ibanês tem um 1%. Não atua na gestão. A Petrobras fez uma licitação em São Paulo com várias empresas e eu ganhei com o menor preço. Não vejo nada errado. É licitação.

Sobre o contrato de organização do seminário em Porto Alegre, ela disse que a Capacità foi “recebedora de patrocínio de um contrato para pagar fornecedores”.

Não é a primeira vez que o nome da EPE aparece ligado a denúncias. No mês passado, no rastro do escândalo de tráfico de influência que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil, foi descoberto que a estatal tinha contrato com o escritório Trajano & Silva, onde Israel Guerra, filho da ex-ministra Erenice, costumava despachar. Uma irmã de Erenice trabalhou na EPE.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Cai Erenice Guerra, braço direito de Dilma



Erenice Guerra, aquela dos 6% hehehe, não conseguiu se segurar no cargo que era de Dilma Rousseff e ao qual só se empoleirou a pedido da mesma.

Comandando a Casa Civil da Presidência, Erenice, que nunca aparece em público e foge de câmeras e jornalistas, produziu muito. Produziu uma sequência de escândalos de corar até Fernandinho Beiramar.

Suspeita de tráfico de influência grosso, aqueles que rendem milhões de dólares, mas também já carimbada como feitora de dossiês e apagadora de DVDs de vídeo de segurança, Erenice é a sombra de Dilma desde os tempos de ministério de Minas e Energia.

Na cabeça, agenda e computador pessoal de Erenice Guerra, encontra-se toda a verdadeira história que Dilma não conta nem em confessionário. É uma mala preta daquelas, agora acuada com a revelação de algumas estrepulias do arco da velha.

Resta saber que efeito todo esse lamaçal causará na campanha da irmã siamesa, ex-chefa e mui amiga.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Biografia comparada José Serra X Dilma Rousseff



José Serra tem 68 anos, é paulista, filho único de imigrantes italianos, o pai vendedor de frutas no Mercado Público, foi criado numa vila operária da Moóca, em uma pequena residência de apenas um quarto e sala, geminada com outras 24 casas, em São Paulo.

Dilma Rousseff tem 62 anos, é mineira, filha de um imigrante búlgaro, rico empreiteiro e dono de construtora, proprietário de dezenas de imóveis em Belo Horizonte; foi criada em um grande e espaçoso apartamento em Belo Horizonte.

Quando Serra tinha 11 anos, sua família mudou para outra pequena casa, na Vila Bertioga, então "periferia" de São Paulo (o bairro não tinha luz na rua, calçamento e rede de esgotos). Ajudava seu pai no mercado vendendo frutas e, no científico (Ensino Médio) já dava aulas particulares de matemática para se manter.

Imóvel não era problema para a rica família Rousseff, que passava férias no Rio. Um dos espaçosos apartamentos foi cedido para Dilma utilizar, exclusivamente, como esconderijo seguro para os grupos terroristas de extrema esquerda dos quais participava, que pouco tempo depois viriam a praticar atentados, roubar e seqüestrar.

Aluno de escola pública, Serra conseguiu entrar, já na primeira tentativa, na renomada Escola Politécnica de Engenharia da USP, e, no início dos anos sessenta, vinculado à política estudantil, foi eleito presidente da União Estadual de Estudantes, de São Paulo, e depois da União Nacional dos Estudantes, com apoio da Juventude Católica. Democrata, Serra sempre usou o palanque e a tribuna como armas.

Dilma, por sua vez, neste mesmo período, fazia política estudantil nas escolas mais burguesas de Belo Horizonte. Em 1963, ingressou no curso Clássico e passou a comandar uma célula política comunista em uma das mais tradicionais escolas da cidade, onde conheceu futuros companheiros de guerrilha, como o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

Com 21 anos, Serra, representando a UNE, foi o mais jovem a discursar no famoso comício da Central, no Rio de Janeiro, ao lado do presidente João Goulart e outras autoridades. Perseguido pelo golpe militar de 1964 por ser presidente da união dos estudantes, Serra exilou-se na Bolívia após os militares incendiarem a sede da UNE no Rio de Janeiro. Posteriormente, rumou para a França, retornando ao Brasil em 1965, na clandestinidade. Ainda neste ano, foi para o Chile, onde ficou durante oito anos e se formou economista. Deu aulas e assessorou o governo daquele país. Com a queda de Allende, foi preso no Estádio Nacional, mas conseguiu sair e rumou para a Itália e, depois, para os Estados Unidos. Teve uma vida extremamente produtiva no exílio, onde adquiriu sólida formação acadêmica (dois mestrados e um doutorado), atuando como professor e consultor da ONU (Organização das Nações Unidas).

Em 1964, Dilma começou a conviver com terroristas de extrema-esquerda, iniciando a sua carreira como militante na luta armada. Neste período ingressou na POLOP, Política Operária, onde militou até ingressar na universidade. A POLOP lutava para instalar uma ditadura comunista no Brasil, nos moldes da ex-União Soviética.

Em 1967, Serra casou-se com a bailarina chilena, também psicóloga, Mônica Allende, com quem tem dois filhos e três netos e continua até hoje casado.

Dilma também se casou em 1967, com o terrorista e guerrilheiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares (codinomes "Aurélio" e "Lobato"). Quando o primeiro marido a deixou, para ir cumprir missões guerrilheiras em outros países (seqüestrou um avião no Uruguai, por exemplo), Dilma teve um segundo casamento com Carlos Franklin Araújo, com quem teve uma filha. Desde 2000, não está mais casada.

Serra interrompeu a sua formação acadêmica no Brasil em função do exílio, que impediu que seguisse a carreira de Engenheiro. No entanto, no Chile, se graduou e fez um mestrado em Economia e foi professor de Matemática na CEPAL (orgão da ONU). Posteriormente, nos Estados Unidos, fez mais um Mestrado e um Doutorado na prestigiada Universidade de Cornell. Trabalhou dois anos em Princeton como professor assistente, um dos templos do conhecimento mundial. Tem uma das mais sólidas formações na área no Brasil. Aprendeu línguas e fala fluentemente inglês e espanhol, além de saber francês e italiano

Dilma ingressou em 1967 na faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Ali participou da criação do sanguinário grupo COLINA, Comando de Libertação Nacional. Posteriormente, participou ativamente da fusão entre a COLINA e a VPR, Vanguarda Popular Revolucionária, quando surgiu a violenta VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), responsável por dezenas de crimes contra civis e militares. Nunca aprendeu inglês por considerar "a língua do imperialismo yankee".

Serra permaneceu 13 anos longe do Brasil. Retornou em 1977, dois anos antes da Lei da Anistia, sendo um dos únicos que voltou sem nenhuma garantia de liberdade e ainda com os direitos políticos cassados, correndo o risco de ser preso.

Enquanto isso, Dilma estava na clandestinidade, participando de ações armadas, recebendo treinamento para guerrilha no exterior (no Uruguai), ministrado por organizações comunistas internacionais. Aprendeu a usar o fuzil com maestria, especialmente na atividade de montá-lo e desmontá-lo no escuro. Foi presa em 1970, permanecendo nesta condição até 1973.

Em 1978, Serra iniciou a sua carreira política, que este ano completa 32 anos. Teve sua candidatura a deputado impugnada pelo regime militar, sob a alegação de que ainda estava com os direitos políticos suspensos. Foi admitido como pesquisador do Cebrap, foi editorialista do jornal Folha de São Paulo e professor de Economia na UNICAMP (Universidade de Campinas), onde ficou.

Em 1973, Dilma Rousseff retomou o curso de Economia na UFRGS, no Rio Grande do Sul, onde estava preso seu segundo marido, Carlos Araújo. Ingressou, junto com o marido, no PDT e recebeu um cargo de estagiária na Fundação de Economia e Estatística, em 1977. Em 1978, Dilma Rousseff começou a fazer as disciplinas do mestrado na UNICAMP-SP e, depois, sem apresentar a dissertação, as cadeiras do doutorado. Jamais concluiu qualquer um deles. Durante anos, o seu currículo oficial , em sites oficiais, mentiu que ela tinha concluído os dois cursos quando, na verdade, mal cursou os créditos, que representa quando muito 10% de um título acadêmico strictu sensu.

Em 1983, Serra iniciou, efetivamente, a sua carreira como gestor, assumindo a Secretária de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo. Braço direito do governador Franco Montoro, arrumou as finanças do Estado que estavam falidas pelo ex-governador Paulo Maluf, organizou os investimentos e deu força à Educação e à Saúde. Implantou a hidrovia Tietê-Paraná, asfaltou mais de 4 mil km de estradas vicinais e reequipou totalmente a polícia. Montoro entregou o governo com todas as finanças em dia para seu sucessor, Orestes Quércia.

Em 1985, Dilma assumiu a Secretaria Municipal da Fazenda, em Porto Alegre, no governo do pedetista Alceu Collares, com quem tem uma dívida de gratidão. Hoje Collares é conselheiro de Itaipu, onde comparece uma vez por mês recebendo um gordo salário e jetons.

Em 1986, Serra foi eleito deputado constituinte, um dos mais votados do Estado de Sâo Paulo. Foi o deputado que aprovou a maior número de emendas na Constituinte: apresentou 208 e aprovou 130, uma delas criando o FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, que tirou do papel Seguro Desemprego. Liderou toda a reformulação orçamentária e de planejamento do país, no período, que começaram a estruturar as finanças brasileiras, preparando-as para o futuro Plano Real.

Dilma saiu da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre em 1988, sendo substituída pelo hoje blogueiro Políbio Braga, que afirma: "ela não deixou sequer um relatório, e a secretaria era um caos."

Serra foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. No mesmo ano foi derrotado por Luiza Erundina, do PT, nas eleições para prefeito de São Paulo. Em 1990, foi reeleito deputado federal com a maior votação em São Paulo e a segunda maior do Brasil.

Em 1989, Dilma foi nomeada Diretora-Geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na cota do marido no PDT. Alguns meses depois foi demitida, pois não obedecia a horários e faltava a todas as reuniões, segundo Valdir Fraga, o presidente da Casa, à época.

Em 1994, Serra foi um dos grandes apoiadores do Plano Real, mesmo com idéias próprias que o indispuseram, por exemplo, com Ciro Gomes. Neste ano, foi eleito senador por São Paulo, com mais de seis milhões de votos. Em seguida, assumiu o Ministério do Planejamento, onde implantou os programas "Brasil em Ação" e "Avança Brasil", copiados pelo presidente Lula para transformar no "PAC".

Em 1995, Dilma Rousseff voltou para a FEE, mas como funcionária, já que o PDT havia perdido a eleição. Ali editou uma revista de indicadores econômicos, enquanto tentava acertar o seu “doutorado” na UNICAMP.

Em 1998, José Serra assumiu o Ministério da Saúde. Criou os Remédios Genéricos, implantou em todo o Brasil o Programa de Saúde da Família, fez os mutirões e o Programa de Combate a AIDS. Criou a ANS e ANVISA. Foi considerado, internacionalmente, como uma referência mundial em gestão na área, com menção honrosa na ONU.

Em 1998, na cota do PDT, Dilma é presenteada com a Secretaria de Minas e Energia, no governo petista de Olívio Dutra, eleito governador gaúcho. Vendo que o partido de Brizola estava decadente, largou o trabalhismo e ingressou no PT, em 2001.

Em 2002, Serra candidatou-se à Presidência, sendo derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

Em 2002, Dilma foi nomeada ministra das Minas e Energia do governo Lula, puxando o tapete de Luiz Pinguelli Rosa, mestre em Engenharia Nuclear e doutor em Física, que coordenava o grupo de transição e era o nome mais cotado para assumir o cargo, pois foi o coordenador de energia do programa de governo de Lula.

Em 2004, Serra elegeu-se Prefeito de São Paulo, derrotando a petista Marta Suplicy que tentava a reeleição.

Em junho de 2005, Dilma assumiu o lugar de José Dirceu, o chefe da sofisticada organização criminosa do mensalão, sendo saudada por ele como “companheira de armas e de lutas”, em memória aos tempos da guerrilha. No cargo, disse que o país nunca mais teria apagões - o que acabou ocorrendo em 2009 por falhas de gestão.

Em 2006, Serra elegeu-se Governador de São Paulo já em primeiro turno, fato inédito na história do estado, cargo que exerceu até o último dia 31 de março de 2010. É o candidato natural da oposição à Presidência da República.

De 2006 para cá, Dilma vem sendo imposta e empurrada goela abaixo por Lula como a candidata biônica do PT à presidência da república. No dia 20 de fevereiro de 2010, foi ungida, sem nunca ter conquistado um só cargo público pelo voto ou por concurso, a candidata da situação à sucessão de Lula.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Luís Nassif tem contrato milionário com governo federal



EBC paga R$ 1,2 mi a jornalista pró-governo
Luís Nassif diz que "notória especialização" justifica contratação sem licitação pela estatal que mantém TV Brasil


Jornal Folha de São Paulo - 11 de março de 2010
RUBENS VALENTE
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

O jornalista e empresário Luís Nassif mantém um contrato anual, fechado sem licitação, de R$ 1,28 milhão com a estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), vinculada ao Palácio do Planalto e responsável pela TV Brasil.
A empresa de Nassif, Dinheiro Vivo Agência de Informações, produz um debate semanal, de uma hora, e cinco filmetes semanais de três minutos.
Do R$ 1,28 milhão do contrato, o jornalista fica com R$ 660 mil anuais a título de remuneração, o que equivale a salário de R$ 55 mil. Os pagamentos começaram em agosto. O programa estreou segunda-feira.
À Folha, por e-mail, Nassif afirmou que os insumos de produção cresceram de forma "não prevista no contrato original", por conta de "demandas adicionais da EBC", e que a parte destinada à Dinheiro Vivo corresponde a R$ 49 mil brutos mensais (ou R$ 39 mil líquidos), e não R$ 55 mil.
Os outros R$ 558 mil do contrato são destinados ao pagamento de uma equipe de nove pessoas e à compra de equipamentos. A gravação do debate é feita no estúdio da EBC, que também custeia deslocamento e hospedagem de convidados.
Em seu blog, Nassif tem se posicionado a favor do governo em várias polêmicas, discussões e escândalos. A página também se caracteriza por críticas a jornais e jornalistas.
Após a Folha ter revelado, no mês passado, que a Eletronet, empresa interessada em atos do governo, pagou R$ 620 mil ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, Nassif tentou desqualificar os jornalistas e fez a defesa de Dirceu.
A Dinheiro Vivo foi contratada por inexigibilidade de licitação, prevista na lei que regula as licitações. Indagado sobre isso, Nassif respondeu que a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), vinculada à Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, adquiriu em 2009, também por inexigibilidade de licitação, 5.499 assinaturas da Folha.
Segundo a assessoria da Secretaria de Educação, idêntico procedimento foi adotado para a aquisição de assinaturas do jornal "O Estado de S. Paulo" e das revistas "Veja", "Época" e "IstoÉ". O objetivo das compras, segundo a secretaria, é abastecer as bibliotecas de escolas públicas no Estado.
Para dispensar a licitação e contratar Nassif, a EBC argumentou que há uma singularidade no programa. Trata-se de um debate de uma hora semanal com três convidados, mediado por Nassif, que também recebe perguntas da plateia e de internautas.
Nassif disse à Folha que seu projeto já existia na TV Cultura, mas foi "descontinuado" logo depois de ele ter escrito artigos sobre "a piora dos balanços da Sabesp". Sobre a dispensa da licitação, o jornalista afirmou: "Presumo que por dois motivos. Ponto um: notória especialização. Os prêmios que acumulei ao longo de minha carreira e nos últimos anos atestam essa minha especialização. Ponto dois: sou o criador do Projeto Brasil de discussão de políticas públicas casando TV e internet apresentado à EBC".

Outros contratos
A EBC informou que mantém outros quatro contratos fechados por inexigibilidade de licitação. São relativos aos programas "Samba na Gamboa" (R$ 1,2 milhão anuais), da produtora Giros, "Papo de Mãe" (R$ 1,99 milhão), da produtora Rentalcam, apresentado pelas jornalistas Mariana Kotscho (NB: filha de Ricardo Kotsho - amigo e ex-assessor de imprensa do presidente Lula) e Roberta Manrezi, "TV Piá" (R$ 1,34 milhão), dirigido pela jornalista Diléa Frate, e "Expedições" (R$ 1,66 milhão), da jornalista Paula Saldanha.
O diretor jurídico da EBC, Luís Henrique Martins dos Anjos, diz que a contratação de programas artísticos ou jornalísticos, cujos direitos autorais pertencem a outras pessoas, sem licitação e por notória especialização está amparada em um entendimento firmado pelo plenário do TCU, no acórdão nº 201/2001, relatado pelo ministro Benjamin Zymler.
Sérgio Sbragia, sócio de Diléa Frate na produtora Serpente Filmes, afirmou que a escolha de sua empresa "foi um processo muito criterioso", que durou cerca de um ano.
A produtora Giros defendeu a dispensa da licitação. "O projeto "Samba na Gamboa" é apresentado pelo artista Diogo Nogueira. Em função do saber notório atribuído ao artista no mundo do samba (...), este contrato foi assinado de forma excepcional, dispensando licitação", afirmou Maria Carneiro Cunha, da Giros.
A jornalista Paula Saldanha disse que o programa "Expedições" "está há 15 anos no ar, conquistando os melhores índices de audiência em todas as emissoras em que foi exibido (Manchete, TVE e TV Cultura)". Procurada pela Folha na última terça-feira, a Rentalcam não ligou de volta até o fechamento desta edição.